Outra medida de felicidade
Luna apaga o vídeo pela terceira vez, com o celular iluminando o quarto e o grupo da escola fervendo nos stories. Naquela noite, dizer que a crueldade era crueldade parece o caminho mais curto para ficar sozinha
Luna apagou o vídeo três vezes antes de postar. Em 2026, uma menina da escola tinha virado piada nos stories, e quase toda a turma ria só para não virar alvo também. Quando Luna escreveu que aquilo era crueldade, o celular aceso no quarto explodiu em risadas, prints e gente chamando ela de dramática e santa. Fazer o certo, naquela noite, parecia o jeito mais rápido de ficar sozinha. Se Jesus se sentasse na beira da cama, ele não falaria de reputação nem de algoritmo. Diria que, no Reino dele, feliz não é quem humilha para parecer forte, mas quem fica limpo por dentro, tem misericórdia e faz paz. E quando o nome dela começa a rodar no grupo da sala, quem está melhor: quem recebe aplauso por ferir ou quem aguenta a pressão sem entrar na crueldade? A verdade ficou clara para Luna: ser atacada por fazer o bem não era perder. Os comentários continuaram na tela, mas a vergonha perdeu o microfone, e ela dormiu com outra medida de felicidade.
#jesus