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Reflexões

Duas reflexões por semana sobre Jesus, fé e vida hoje.

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Sem se curvar ao algoritmo

Jesus ligou o celular num estúdio emprestado, com ring light barata e parede sem reboco. Em 2026, a fome não veio só no corpo; veio em notificação. Uma oferecia alívio imediato: transformar carência em conteúdo, necessidade em Pix, dor em vídeo que bomba. Outra vendia o salto perfeito, o risco calculado para viralizar e calar os haters. A terceira era mais fria: contrato, alcance, números, poder, desde que ele se curvasse ao algoritmo. No meio daquele quarto apertado, a pergunta ficou clara: quando a urgência aperta, vale qualquer atalho que promete sustento, atenção e controle? Ele não entrou no jogo. Disse que nem tudo o que mata a fome alimenta a vida. A lição era simples: quem pertence a Deus não precisa se vender para ser sustentado, nem se jogar do alto para ser visto, nem trocar a alma por poder. Então ele apagou a tela, e o quarto continuou pequeno, mas por dentro tudo tinha mudado: a fome ainda existia, só já não mandava nele.

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Antes de julgar

Na padaria do bairro, Lara esperava o Uber com o celular na mão e um comentário afiado quase pronto. Em 2026, bastam alguns segundos para transformar o erro de alguém em entretenimento, e um vídeo da faculdade já tinha feito isso com um rapaz gaguejando na apresentação. Memes, risadas, cortes cruéis. Jesus estava na mesa ao lado, mexendo o café sem pressa, olhando para a tela e para o que crescia dentro dela. Ele não negou a falha do rapaz; só puxou Lara para mais fundo: antes de apontar, encara o que te governa por dentro. E se fosse ela do outro lado, exposta num dia ruim, enquanto quem a julgava escondia a própria bagunça? Julgar é fácil quando a dor veste toga. Ver com verdade começa quando a pessoa admite o próprio caos. Lara apagou o comentário, guardou o celular e ficou em silêncio. O vídeo continuou ali, mas a condenação perdeu o volante, e o rosto dela mudou junto.

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Quando o amanhã perde o volante

Larissa travou na fila da padaria com a app do banco aberta e três boletos quase vencendo na tela. Em 2026, o cálculo era sempre o mesmo: aluguel, mercado, internet, remédio, e um peito apertado tentando fazer o amanhã caber no saldo de hoje. Ela ficou presa ao brilho do celular como se dali pudesse sair alguma segurança. Do lado de fora, passarinhos bicavam migalhas na calçada e a vida seguia. Jesus pediu um café, reparou nela e falou sem drama: ansiedade não paga conta nem aumenta o dia. Se o medo nunca trouxe pão para hoje, por que deixar que ele mande no amanhã? Então ele apontou para a rua e deixou a lição clara: primeiro vem confiar em Deus e viver do jeito certo; o resto não precisa mandar no coração. Larissa saiu com os mesmos boletos, o mesmo saldo e o mesmo bairro barulhento. Mas algo tinha mudado de lugar. O amanhã já não dirigia o peito dela.

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Outra medida de felicidade

Luna apagou o vídeo três vezes antes de postar. Em 2026, uma menina da escola tinha virado piada nos stories, e quase toda a turma ria só para não virar alvo também. Quando Luna escreveu que aquilo era crueldade, o celular aceso no quarto explodiu em risadas, prints e gente chamando ela de dramática e santa. Fazer o certo, naquela noite, parecia o jeito mais rápido de ficar sozinha. Se Jesus se sentasse na beira da cama, ele não falaria de reputação nem de algoritmo. Diria que, no Reino dele, feliz não é quem humilha para parecer forte, mas quem fica limpo por dentro, tem misericórdia e faz paz. E quando o nome dela começa a rodar no grupo da sala, quem está melhor: quem recebe aplauso por ferir ou quem aguenta a pressão sem entrar na crueldade? A verdade ficou clara para Luna: ser atacada por fazer o bem não era perder. Os comentários continuaram na tela, mas a vergonha perdeu o microfone, e ela dormiu com outra medida de felicidade.

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